Fila única no INSS: tentativa de acelerar aposentadorias, auxílios e BPC

O tempo de espera para conseguir um benefício do INSS voltou a preocupar quem depende da aposentadoria, do auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), do salário-maternidade ou do Benefício de Prestação Continuada (BPC). 

Em 2026, o volume de pedidos em análise cresceu novamente e a fila acumulada superou a casa dos milhões.

Para enfrentar esse gargalo, o instituto mudou a forma de organizar os processos e colocou em prática a chamada fila única nacional.

Em vez de cada região do país manter sua própria fila, todos os pedidos passam a integrar uma única lista, válida para todo o Brasil. 

Com isso, o INSS pretende distribuir melhor o trabalho entre as equipes e reduzir diferenças no tempo de espera entre estados e municípios.

Por que o INSS criou a fila única

Nos últimos anos, o número de requerimentos aumentou de forma significativa, enquanto a estrutura de atendimento do INSS não avançou no mesmo ritmo. 

Isso fez com que muitos pedidos permanecessem parados por meses, inclusive casos em que a documentação já estava completa.

Dados oficiais indicam que, em novembro de 2025, cerca de 2,96 milhões de processos aguardavam análise, o maior volume registrado naquele ano. 

A fila única surge como uma tentativa de organizar esse estoque e dar prioridade aos pedidos que estão há mais tempo sem resposta.

Com a mudança, o controle deixa de ser regional e passa a ser centralizado. 

Na prática, isso permite que pedidos feitos em estados com menos servidores possam ser analisados por equipes de outras regiões, conforme a disponibilidade.

Quais benefícios entram na fila única

A fila nacional abrange os principais pedidos feitos ao INSS.

Estão incluídos os requerimentos iniciais de aposentadoria, o salário-maternidade, o auxílio por incapacidade temporária e as revisões de renda do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Esses benefícios concentram grande parte da demanda e têm impacto direto na renda de milhões de famílias, motivo pelo qual foram definidos como foco do programa.

Quem terá prioridade na análise

Nem todos os pedidos são analisados na mesma ordem. 

O INSS estabeleceu critérios de priorização para tentar destravar processos mais antigos e aqueles com maior impacto social.

Pedidos que estão parados há mais de 45 dias entram na frente, assim como benefícios assistenciais com maior volume de solicitações. 

Entre os principais focos estão as revisões do BPC, as avaliações sociais e os pedidos iniciais de aposentadoria, salário-maternidade e auxílio por incapacidade temporária.

A intenção é reduzir o tempo médio de concessão e evitar que pessoas em situação de vulnerabilidade fiquem longos períodos sem resposta.

Como funciona o incentivo aos servidores

Além da reorganização da fila, o INSS retomou o pagamento de bônus por produtividade no âmbito do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB). 

Servidores que participam do programa recebem o incentivo quando realizam análises além da meta diária regular.

Cada processo adicional concluído gera um pagamento de R$ 68, com limite mensal de R$ 17.136, conforme definido em portaria. 

A norma também estabelece limites diários de tarefas e regras para evitar sobrecarga e preservar o fluxo interno de trabalho.

Essas análises extraordinárias podem ocorrer de forma complementar à rotina normal, sempre dentro das regras estabelecidas pelo próprio instituto.